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Curtas: Costa, Refugiados e Florestas

Se o Sr. António Costa realmente está preocupado com a falta de mão de obra para cuidar das florestas ou para o trabalho agrícola, em vez de propor entregar esse trabalho aos refugiados (porque a mim custa-me ouvir: "A gente arrecebe-os cá, mas é para fazerem o trabalho que não queremos fazer. 'Tá bem? Mas olhem lá isto não parece nada a escravatura do tempo dos Descobridores!"), proponha entregá-lo àqueles que recebem subsídios do Estado gratuitamente e aos presidiários. 

Até pode ter sido um exemplo infeliz, mas, no que toca ao tema dos refugiados, traga propostas decentes (se as tiver) porque se não as tiver use as recomendações gerais e não faça deste assunto mais um daqueles que tem de falar só porque a demagogia lhe é intrínseca. 

 

 

Comparações Heuréticas: Demagogia essa Água Mole

Sempre me disseram: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”.

Em momento de triste campanha para as legislativas, reina a demagogia. As falsas promessas, os discursos e trajes cuidados pelo marketing político, o enfoque nos problemas fugindo à apresentação de verdadeiras soluções, os ataques pessoais e as fintas aos assuntos realmente importantes.

Esta é a demagogia moderna que corrompe a política. Uma água poluída. Uma água mole. A Política – a verdadeira, a ciência ao serviço do cidadão e da res publicae –  é a pedra dura desta comparação. Uma pedra basilar na qual assenta o Estado e a Sociedade Civil.

Mas tal como reza o ditado popular, adaptando-o: “Demagogia mole em Política dura, tanto bate até que fura.” E uma Política furada é uma pedra basilar débil, tudo o que lhe estiver assente ruirá.

 

 

Ordinarices: Já não se oferecem canas de pesca

Esta é a conclusão a que chego quando me disponho a pensar. Hoje em dia, já ninguém oferece canas de pesca nem ensina a pescar. Hoje em dia, serve-se o peixe já cozinhado e com as espinhas “apartadas” na melhor baixela.

E começa-se logo de pequenino, quando se deve torcer o pepino. Qualquer pai quererá (ou deverá querer) o melhor para a sua prole. Mas a distância entre o facilitismo desbaratado e a exigência eficaz equivale à distância entre o céu e o mar. Na linha do horizonte parece existir um ponto onde se tocam, mas é ilusão de perspetiva. Podemos procurar a vida toda esse ponto de encontro que nunca o encontraremos. O mesmo acontece entre o tal facilitismo e a tal exigência. Não queria abusar dos argumentos “No meu tempo…”, mas a verdade é que, segundo me contam, atualmente, são os pais que preparam a mochila para a escola, são os pais que servem de transporte entre casa-escola e vice-versa – incluindo as diferentes atividades – e até são os pais que estão quase obrigados à realização dos TPCs.

Eu não sou pai, nem pretendo ser. Portanto, sintam-se à vontade para discordar.

Avançando uns anos, e mudando para o espaço universitário, já não há tanta pesquisa e desenrascanço, pois, agora, até são os próprios professores que fornecem sebentas e apontamentos. E os exames de escolha múltipla alargaram-se às ciências sociais – alguém que me explique a lógica de exames de escolha múltipla numa licenciatura de Direito, que eu não percebo.

Se durante os anos de educação a máxima “Foram os papás que me deram!” até terá justificação, a partir do ansiado Grito do Ipiranga torna-se numa máxima triste de aplicar na maioria dos casos práticos. É a prova de que não se luta pelo que se quer, de que não sabemos pescar e, muitas vezes, até cozinhar.

Mas o perigo do facilitismo estende-se na vida adulta e profissional, resultando em trabalhadores que se especializam em fazer apenas aquilo que lhes colocam em frente às vistas – literalmente, pois se têm de pesquisar ou inventar, o mais fácil é dizer que não se sabe ou não faz parte das competências. E assim morrem a proatividade e a inovação.

E enquanto cidadãos o modelo repete-se. É tão mais fácil entregar a responsabilidade ao Estado do que cuidarmos de nós próprios. É mais fácil exigir o peixe já pronto do que pedir a distribuição de canas de pesca, com a necessária formação na atividade. E assim se chega ao extremo da gratuitidade do ensino – aquele ponto em que se passeiam livros para um dia qualquer ter um canudo, só porque sim!, por exemplo –, ou à atribuição de prestações gratuitamente, ou à dependência da regulação do tratamento de idosos e animais – porque se não existir lei, parece que não existe moral, ou à entrega da condução da vida política a uma classe que se dedique apenas a isso e como consequência se torne numa classe obsoleta e pouco fiável.

Sempre que eu tiver um problema, agradeço que me indiquem onde posso arranjar a cana de pesca e me ensinem a pescar. Por favor, não me habituem a ter a “papinha feita”. Obrigado.

 pesca.jpg

 Imagem: https://stocksnap.io/

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